Justiça reconhece vínculo trabalhista de gerente contratada como pessoa jurídica

19 de Outubro, 2026 Direito do Trabalho
Justiça reconhece vínculo trabalhista de gerente contratada como pessoa jurídica

O juiz Celismar Coêlho de Figueiredo, da 9ª Vara do Trabalho de Goiânia/GO, reconheceu o vínculo de emprego de gerente que, segundo as empresas, atuava como prestadora de serviços por pessoa jurídica.

Para o magistrado, os documentos e depoimentos demonstraram trabalho pessoal, habitual, remunerado e subordinado, afastando a autonomia alegada na defesa.

A sentença determinou a anotação da carteira de trabalho e o pagamento de verbas trabalhistas e rescisórias, com integração das comissões à remuneração. Duas empresas foram responsabilizadas solidariamente pelos valores devidos.

Registro cancelado

A trabalhadora afirmou que foi contratada em agosto de 2023 como gerente regional e permaneceu trabalhando até março de 2025, quando foi dispensada sem receber integralmente as parcelas decorrentes do desligamento.

As empresas admitiram a prestação dos serviços, mas defenderam que a relação era civil. Sustentaram que ofereceram a contratação pela CLT e que a própria gerente pediu o cancelamento da admissão para continuar como prestadora.

Em depoimento, porém, a profissional negou essa escolha. Contou que descobriu o cancelamento do registro ao procurar o setor de recursos humanos porque não conseguia acessar seu contracheque. Disse que preferia permanecer registrada como empregada.

O juiz considerou que as empresas não comprovaram a alegada opção espontânea pela contratação civil.

Documentos indicavam salário

Os demonstrativos apresentados pelas próprias rés registravam pagamentos mensais de R$ 8 mil e identificavam a trabalhadora como “regional” e, posteriormente, “gerente de loja”. Alguns documentos classificavam expressamente as parcelas como “salário”, sem indicação de emissão de nota fiscal.

Para o magistrado, esses registros retratavam uma pessoa integrada à organização empresarial, com função definida e remuneração mensal, e não uma empresa independente contratada para entregar determinado resultado.

A prova oral também demonstrou que a gerente se reportava ao proprietário e, depois, a outro superior hierárquico. O contrato examinado previa sujeição a horários, restrição à prestação de serviços a terceiros e possibilidade de transferência entre estabelecimentos.

Segundo a sentença, a liberdade própria de uma função gerencial não elimina a subordinação.

“A autonomia inerente às funções gerenciais não exclui a subordinação jurídica.”

Verbas e comissões

O vínculo foi reconhecido de 17 de agosto de 2023 a 3 de maio de 2025, considerada a projeção do aviso-prévio indenizado de 33 dias.

O juiz também reconheceu a dispensa sem justa causa, pois não foi apresentado documento assinado pela trabalhadora que comprovasse o encerramento consensual alegado pelas empresas.

Foram deferidos salário de março de 2025, aviso-prévio, férias com adicional de um terço, 13º proporcional, recolhimentos de FGTS e multa de 40%, além da multa do art. 477 da CLT.

As comissões comprovadamente pagas deverão integrar a remuneração e repercutir nas parcelas deferidas. Sua média será apurada na liquidação.


Fonte: Migalhas

Imagem: Canva

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