Impactos na saúde e no bem-estar dos trabalhadores causados pelo teletrabalho durante a pandemia

18 de Novembro, 2020 Direito do Trabalho
Mulher sentada em cadeira, com as mãos apoiadas na base das costas, à sua frente uma mesa com computador e uma caneca

A pandemia fez com que milhares de trabalhadores e trabalhadoras passassem, de forma abrupta, a desempenhar suas atividades laborais em regime de teletrabalho. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da Fundação Getulio Vargas (FGVSaúde), em parceria com o Institute of Employment Studies (IES), do Reino Unido, e com o apoio técnico da Sharecare Brasil, revela que o home office tem trazido impactos na saúde e no bem-estar dos empregados, em razão da falta de condições adequadas de trabalho em suas casas.

Segundo dados do estudo, apenas 15,9% dos trabalhadores receberam suporte da empresa para o home office e 46% têm trabalhado mais horas por dia. O teletrabalho também tem gerado desafios para o exercício das funções laborais. 47,7% dos entrevistados relataram compartilhar o seu espaço de trabalho com outro adulto; 46% com filhos dependentes menores de 18 anos; e 21,2% cuidam de outro adulto ou parente idoso.

Para completar esse quadro, sintomas físicos acabaram sendo desenvolvidos como dores habituais nas costas (58,2%), no pescoço (57,1%) e nos ombros (51,9%); perda de sono (55,6%); fadiga ocular (55%), dores de cabeça/enxaqueca (53,3%); sensação de fadiga (42,9%) e azia e/ou indigestão (34,6%). As dores musculoesqueléticas são a principal causa de afastamento e incapacidade em trabalhadores no mundo todo e esse problema pode piorar devido à falta de ergonomia no trabalho em home office.

Nesse sentido, 84,1% dos trabalhadores afirmaram que o empregador não realizou qualquer avaliação de saúde e segurança em sua estação de trabalho em ambiente doméstico e apenas 15,9% receberam algum tipo de suporte em termos de adaptação da sua casa para o trabalho por parte da organização.

A pesquisa incluiu, ainda, um instrumento desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para avaliar o estado de saúde mental e bem-estar das pessoas. De acordo com a OMS, índices menores do que 13 (numa escala de 0 a 25) indicam baixos níveis de bem-estar e evidenciam necessidade de acompanhamento, pois podem indicar algum nível de depressão. No Brasil, o escore médio foi de 13,67%, considerado de baixo bem-estar, o que pode vir a desencadear questões emocionais, como a depressão.

Com relação aos sintomas emocionais, houve maior frequência que o habitual em relação às preocupações com as questões financeiras da família (51,5%) e com a estabilidade no trabalho (47,4%); sensação de ansiedade com a saúde de um membro da família (47,7%) e de solidão e isolamento (22,6%).

Além disso, a pesquisa aponta que há grande dificuldade para gerenciar o tempo e dividir a vida pessoal da profissional. 62,5% dos entrevistados não conseguem se exercitar como antes; 46% têm trabalhado ainda mais e em horários irregulares; 35% continuaram trabalhando mesmo quando doentes; e 48,6% se sentem sob muita pressão no trabalho.

Na websérie sobre Teletrabalho: Impactos socioafetivos e na saúde do trabalhador, produzida pelo nosso escritório, o Dr. Antônio Vicente Martins e a Dra. Julise Lemonje conversaram a respeito das diversas consequências causadas pela adoção do home office em razão da pandemia. Em cinco episódios, abordamos questões como a hiperconexão ao trabalho, a exclusão sociolaboral e o distanciamento social, o tecnostresse e as trabalhadoras em situação de maternidade.

Assista a websérie na íntegra nessa playlist:

Fonte: AVM Advogados e Associação Brasileira de Qualidade de Vida
Foto: Freepik

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